Você sabe o verdadeiro sentido da palavra “casamento”?

por Maria Aida, 10/06/2016 às 08:20 em Sociedade

A palavra casamento significa união, formalização de um compromisso a dois, onde este há acordo matrimonial.Mas, por que será que as pessoas se casam? São vários motivos: oficializar um relacionamento afetivo, para buscar estabilidade econômica e social, para formar uma família, para obter direitos como nacionalidade, entre outros.

É muito comum ouvirmos o tão almejado “sim” e participarmos de cerimônias parecidas com cenários de novela, com aqueles banquetes fartos, músicas bem selecionadas, decorações impecáveis das igrejas e dos salões de festas, ou até mesmo quando assistimos a filmes de contos de fadas, onde todos são felizes para sempre. Mas, na realidade casamento é muito sério e nem todos estão dispostos a seguir o “até que a morte nos separe”. Isso acontece por várias causas: as diferenças de temperamento entre ambos não são balanceadas, surge traição, gravidez inesperada e demais fatos. Mesmo assim, existe casais que mantêm a tradição e conseguem driblar as crises. Quer saber a receita? Isso só eles podem falar, afinal estão vivenciando na prática a convivência a dois, ou seja, na alegria, na tristeza, na doença sempre estão juntos e felizes.

Maria Lúcia Santos, 62, professora técnica em pedagogia, aposentada, teve o casamento dos sonhos, com tudo que tem direito: noivado, despedida de solteira, vestido de noiva, festa e lua de mel, afinal foi seu primeiro casamento, não podia deixar em branco. Muito animada, independente, gosta de viajar, passear com as amigas e dançar, nunca deixou de aproveitar cada fase da sua vida. Paquerou, namorou, até esperar o momento certo para si unir a alguém. Um belo dia apareceu o grande amor da vida dela: o senhor Paulo Roberto Santos, 68, motorista aposentado e atualmente está trabalhando como porteiro.

Maria é evangélica e no costume de frequentar os cultos e passeios da igreja conheceu o esposo. O dia do encontro foi 26 de maio de 2010, feriado de Corpus Christi. Nessa data foi comemorado o mês da família, no Aprisco do Carneirinho, um sítio que fica em São Cristóvão. Lá tem área de lazer com piscina, boxe, etc. “Somos evangélicos e todo ano, em maio tem o culto da família, da Igreja Presbiteriana 12 de agosto. Eu estava em outra igreja, mas eu já fazia parte do Grupo dos Ímpares com Cristo, que tem na Igreja Presbiteriana 12 de agosto, e é um grupo para todo público. Fui convidada para ir ao encontro de família. Quando chego lá estava todo mundo louvando a Deus, batendo palmas, feliz nesse recinto. Olhei para atrás e quem foi que eu vi? Essa coisa linda, lá batendo palmas. Mas, naquele dia senti algo no meu coração, meu Deus, o que é isso? Olhei de novo.

Ele estava batendo palmas louvando ao senhor. Mandei uma amiga bater a foto, olhei um pouquinho para trás, sabendo que ele saía. Quando acabou o culto fui almoçar. Então minhas colegas me chamaram para passear, tomar banho de piscina, outros me chamaram para dormir. Fui caminhar. Depois ele sumiu e eu cadê o homem? Saí passeando e olhando os cartazes de propagandas de outras igrejas. Quando eu olho, ele está sentadinho, sozinho numa cadeira de ferro. Aproximei-me mais perto dele. Dei boa tarde, ele respondeu, perguntei se ele era dessa igreja pois a minha era outra, ele disse que sim.  Fui querendo saber mais, perguntei se frequentava muito tempo essa igreja. Ele disse que tinha dois anos e pouco. Veio com o amigo Admário. Mais adiante queria saber se ele era casado ou não. Aí perguntei se a esposa era daqui da igreja. Ele disse que não. O filho dele já veio um dia, mas ele estava separado. Aí meu coração ficou mais alegre ainda. Puxei a cadeira e me sentei. Comecei a conversar com ele. Disse que tem um grupo na igreja que também é dos Ímpas. Ele disse que não participava, só ía a Igreja aos domingos. O grupo viajava muito então não dava para ele participar. Pedi o número do telefone dele, quando tivesse algum evento do grupo eu o comunicaria”, conta Maria Lúcia.

No primeiro encontro do casal surge uma amizade pura e verdadeira. Eles frequentavam os eventos da igreja juntos. Ela aos poucos o convidava para conhecer sua família e outras eventualidades da igreja. Daí por diante os encontros eram constantes. Nesse tempo nasceu o amor entre eles. Mas, Lúcia só começou a namorar em janeiro de 2011, pois Paulo Roberto não estava legalmente separado da ex-esposa, contudo já morava com a filha. Então ela só namoraria quando ele estivesse divorciado. Enquanto isso, ficaram na amizade. “Em janeiro começamos a namorar. Foi quando teve direito a abraço, beijo que até então não tinha. Era só segurar na mão para atravessar a rua. Ficamos amigos nesse tempo todo. Quando ele falou para ex-esposa que ía se divorciar para poder casar novamente, ela aceitou numa boa e já dizia a ele antes para encontrar uma mulher, não muito nova”, explica Lúcia.

Paulo Roberto foi casado há mais ou menos 40 anos com a ex-esposa. Teve filhos e tem netos. Esses se dão muito bem com Maria Lúcia. Inclusive a filha, com quem ele morava, foi uma das madrinhas do casamento. A solenidade aconteceu no dia 17 de dezembro de 2011, na igreja Presbiteriana 12 de agosto. Embora, sendo seu primeiro casamento, ela falou que está sendo um desafio a vida de casada. “Eu sinto um desafio, porque como eu falei ele já teve outro relacionamento e já teve outros costumes, entendeu? Depois eu nunca convivi com ninguém e agora estou vivendo com ele. Mas, estamos vencendo.Ele já teve uma vivência um tanto mundana. Ele trabalhava entregando remédios. Às vezes ele ía aos lugares com outras mulheres, fora a esposa dele teve relacionamento extraconjugal e eu nunca tive isso. É bom que de vez em quando me conta, pois é muito calado. Porém, quando ele abre a boca para falar, eu tenho que gravar tudo, risos. Aí eu seguro ali para ter minha vida estável”, explica Lúcia Santos.  

Lúcia comentou que tem um relacionamento amigável com a ex-esposa de Paulo Roberto. “Quando ela me encontra conversa comigo, liga para mim, somos sempre amigas e unidas. Deus manda ter união. A palavra do senhor diz que devemos amar até os nossos inimigos, imagine que ela não é minha inimiga, ela é minha amiga porque o deixou para mim, risos. Se ele precisar dar um socorro a ela, pode ir, ou precisar dele para ir na casa da filha, vai e leva. Não tenho problema com ele sobre isso. Graças a Deus não fui a causa da separação. Os filhos deles me abraçam muito, sou muito bem tratada. A gente se comunica pelo WhatsApp. Graças a Deus a família dele é uma benção! ”, comenta.

Ao contrário de muitas mulheres, Maria Lúcia nunca ficou desesperada para casar logo. Primeiro se preocupou em buscar sua independência, curtiu cada momento de sua vida. Tinha paqueras, namorava algumas vezes e não deixava de observar o perfil de seus pretendentes, assim como a família que pertenciam. Com os ensinamentos e exemplos de casa, ela teve tempo de sobra para amadurecer. “Uma coisa que sempre pedia a Deus era não casar com homem rico, só pedia um homem que pelo menos tivesse dinheiro para comprar o remédio dele e algo que queira. Nunca pedi a Deus riqueza e casas. Eu tinha tanto medo de encontrar um homem que tinha uma casa, um sítio e quisesse mandar em mim”, desabafa Lúcia.

O casamento de 4 anos e 5 meses está indo muito bem. Maria Lúcia e Paulo Roberto são muito independentes e vivem dialogando. O casal comemora datas importantes como aniversário de casamento, dia dos namorados e aniversário de ambos. Tudo é motivo para festejar a união, pois estão sempre em harmonia. Também costumam fazer viagens juntos e quando o marido não vai, ele não se incomoda que a esposa vá. Ela comenta como eles fazem para conservar a união. “Quando ele chega do trabalho e está cansado,como vai meu bem? Quer ir para algum lugar? Eu o convido, senão quer ir, eu vou com outra pessoa. Então ele vai me levar. As nossas compras, ele tem dinheiro compra o que gosta, eu recebo meu dinheiro e compro também. Eu acho que o pivô de tudo da família, é o dinheiro. Já sei que o começo é o dinheiro.Não vou está brigando com ele porque gastou, comprou isso ou aquilo, você não me deu isso ou aquilo. Se ele quiser me dar algo, senão, vou e compro. Acabou! Não vai ter confusão, disse” Lúcia.

Maria Lúcia é uma mulher madura, estudada e determinada teve muito cuidado para se envolver num relacionamento sério. Sempre foi aberta para diálogos e nunca deixou de falar o necessário ao seu parceiro. “Eu já entrei no relacionamento conhecendo-o. Hoje em dia muitos casais se conhecem e amanhã já estão dormindo. Eu o conheci, passeava com ele, mas não tinha esse negócio de estar na cama. Era mais conversa, beijo e abraço. Eu só me entreguei a ele depois do casamento”, conta.

Quando perguntada se já teve algum momento em que pensou separar-se de Paulo Roberto, Maria Lúcia brinca: “Eu não, no entanto ele não sei, risos. Se eu me separar dele vou sofrer. Nunca tive desejo de me separar dele. Sempre converso com ele para entrar na linha. Nunca me arrependi de ter casado e nem também vou dizer que se soubesse tinha casado antes. Acho que o tempo foi agora. Se eu não casasse por amor, já teria me separado. Quando ele faz algo, eu reflito, oro, choro também, porém eu o amo. A minha discussão maior com ele é sobre saúde e não gosta de obedecer. Às vezes falo não coma isso, não coma aquilo. Vestir a roupa mesmo, já falo. Não vista a roupa em pé do lado de cá da cama, você pode cair. São briguinhas comuns que dão para relevar, explica”.  

Após a conversa Maria Lúcia faz uma ressalva: “Como no livro de Gênesis diz que Deus deixou o homem e mulher. Os dois para viverem unidos e em comunhão, e é isso que vejo. Para isso existe namoro, noivado e o casamento. Depois de casado, a pessoa tem que viver em união.Não é a união carnal, que os jovens de hoje pensam que é o principal, não é. O sexo fica para depois do casamento. Tem que primeiro conversar, como eu falei no começo, conversava muito com Paulo e a família dele. Olhava como era o jeito dele, porque aí quando a pessoa vê que dar para casar, casa-se, entretanto se vê que não dar, no namoro termina. Mas não, o povo vê que aquilo não está dando certo, aí vai em frente, daqui a pouco tem um filho e separa-se. Por que não olhou logo antes? Tem coisas que a gente vê no namoro, no entanto quando casa é outra. Não vou dizer a você que está sendo a mesma coisa, quando eu namorava Paulo. Vejo esse lado dele tanto na alimentação e no jeito de se vestir, desde o tempo de namoro.Sempre falava com ele sobre o vestuário, todavia continua.  Não vou estar discutindo por causa disso, porém o oriento. Tem mulher que acha que vai mudar o parceiro quando casar, engana-se, pois vai acabar separando-se. A gente conversa, entretanto, achava que o problema dele se vestir era porque não tinha quem o orientasse, contudo ele que gosta de se vestir assim. Também não vou me separar pôr causa do jeito inadequado dele se vestir”.  

O pastor Emanuel de Meneses Costa, da igreja Presbiteriana 12 de agosto, celebrou o casamento de Maria Lúcia com Paulo Roberto Santos. Ele coordena algumas programações na igreja, que vão de cursos a palestras para todos os públicos, com o objetivo de instruir a palavra de Cristo para as pessoas entenderem melhor o significado da vida com os ensinamentos da bíblia. Além disso, todos os sábados das 8h às 9h ministra um programa, na Rádio Atalaia AM /770 khz.

Emanuel costuma ministrar cursos para casais. Ele aborda a importância do casamento: “O casamento é uma instituição divina. Deus criou o céu, a terra, o mundo e os que nele habitam. Assim que formou o homem e a mulher, instituiu o casamento, que é a conjunção dos corpos em espírito e em verdade também. Não é apenas a conjunção material, mas é a conjunção espiritual também. Tanto que a bíblia diz que deixa o homem, pai e mãe e se unem a sua mulher e se tornam os dois uma só carne. O corpo de um passa a ser do outro e cada um tem 100% de responsabilidade para com o outro. Então nós ensinamos a luz da bíblia que o casamento é a primeira instituição da face da terra. A bíblia é repleta de instruções sobre o casamento”.

O pastor comentou que é lamentável o fim do casamento. Ainda mencionou que as pessoas não estão cuidando para que esse vínculo dure eternamente. Ainda aproveitando o desabafo, o mesmo aborda: “A primeira palavra que tenho a dizer é que pena! Que tristeza! Quando um casamento se desfaz, o divórcio deve ser visto como uma chaga, uma doença. Não era para ser assim. Poderia ser evitado. Então é um mal que chega devagarinho e vai deixando-se, não se trata, até que chega um ponto que acontece o divórcio”. 

Ao término da entrevista o pastor Emanuel Meneses Costa deixa alguns conselhos valiosos para quem tem interesse de ter um relacionamento sério. “A primeira coisa, peça a Deus, senhor dai-me um casamento conforme a sua vontade. Dai-me um conjugue abençoado por ti. Segundo, busque na palavra de Deus, o que a bíblia diz do Gênese ao Apocalipse. A bíblia nos traz instruções sobre como encontrar, como acertar, sobre como conviver na vida sentimental, romântica e conjugal. Então busque na bíblia que tem a resposta para todas essas questões. Terceiro, procure um acompanhamento pastoral, numa igreja séria, uma igreja que você veja que tenha um Ministério de Casais, um Ministério de Famílias e procure um conselheiro, habilitado, formado, especialista para lhe dar um acompanhamento. Nós fazemos isso aqui, graças a Deus”.     

 

  Angela Catarina de Oliveira Vasconcelos – Jornalista/ DRT:1.318-SE  e Professora de Português

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